DOS DIÁLOGOS INFORMAIS - 24

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— Só depende de você...
— Só depende de mim... Depende de quê?
— Da sua vontade, de você querer ou não querer.
— Sempre as coisas dependem de mim, não é? Você vive me obrigando a fazer essas opções, a ter que fazer escolhas! Por que não é de você que depende?
— Porque eu já decidi.
— É, você decide as coisas e depois eu que me vire pra aceitar o que você decidiu!
— Você pode recusar...
— Até parece que eu possa... Você com essa sua segurança irritante, como se tudo fosse muito simples...
— Nem tudo é simples, mas esta é, meu amor. Você que está complicando...
— Por que você não diz simplesmente “vamos fazer isso, vamos fazer aquilo”, em vez de deixar pra mim a decisão?
— Mas neste caso foi você que sugeriu!
— Pois é! Eu sugeri! E você não podia responder “vamos” ou “não vamos”! Tinha que responder “só depende de você”?
— Mas não era você que estava com vontade?
— Era, mas agora nem sei se estou mais com vontade...
— Tá vendo como você complica as coisas mais simples...
— Eu complico? Você é que complica, você é que dá sempre essas respostas dúbias, que não revelam o que você de fato quer!
— Tá bom. Eu quero.
— Quer? E por que não disse logo que também queria.
— Estava implícito.
— Não, é que você adora me deixar nessas situações de indecisão.
— Não adoro não. Na verdade não gosto. Ainda mais por uma coisa tão simples como esta.
— Agora já...
— Tá bom! Chega! Você quer ou não quer esse sorvete que você sugeriu!?
— Claro que eu quero! Se não, eu não iria sugerir...
— Então vamos tomar esse sorvete. E já vou avisando: você precisa decidir qual você vai querer. Vai pensando, que lá tem uns trinta sabores diferentes...
— Trinta?...
— Se não for mais...

— Ai, meu Deus... Chocolate, pistache, maracujá, limão...

2 comentários :

  1. Se um sorvete provoca tanta discussão, imagina em outras decisões mais quentes!

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  2. Aposto que ela escolheu o sorvete dele.

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