DOS DIÁLOGOS INFORMAIS - 16

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— Chi... esqueci na firma.
— Não acredito! Só mesmo você...
— E agora, o que é que eu faço?...
— Mas como você esquece uma coisa dessas!?
— Ah, sei lá, esqueci...
— Então vai buscar, né.
— Como? Agora está tudo fechado...
— Não tem um guarda que fica lá?
— Tem, mas ele fica lá pra dentro.
— Liga lá. Quem sabe ele atende ao telefone.
— Boa ideia, amiga! Obrigada, eu vou ligar.
— Como é que alguém pode se esquecer de uma coisa dessas...
— Cadê meu celular?! Ai, roubaram meu celular!
— Roubaram ou você esqueceu...?
— Deixa eu ver... É, acho que esqueci na gaveta junto com o pacote... Me empresta o seu?
— Já está na mão, tome.
— Ai meu Deus! Eu não sei de cor o telefone de lá...
— Você não sabe o telefone do seu trabalho?! Só você...
— É que eu tenho o telefone na agenda do celular. Quando eu preciso ligar, ligo e pronto.
— Dá aqui meu celular. Eu tenho o telefone de lá.
— Você tem? Como você tem?
— Você se esquece de que a gente está sempre se falando ao telefone? Então...
— Que sorte eu tenho de ter uma amiga como você!
— Tem mesmo. Esta não é a primeira nem será a última vez que eu quebro seus galhos...
— Como você marcou na agenda? Eu não acho...
— Dá aqui o celular. Toma, é só ligar.
— Tá chamando. Tomara que ele atenda... Alô!... Desculpe incomodar. Eu trabalho aí e esqueci uma coisa muito importante que eu preciso pra amanhã. O senhor sabe, hoje é sexta e amanhã vai estar fechado... Será que o senhor podia abrir a porta pra mim?
— (...)
— Por favor, eu sei que o senhor não pode abrir a porta pra ninguém, eu entendo, mas é muito importante! Por favor!...
— (...)
— Sabe o que é, seu segurança. Amanhã é o aniversário do meu namorado, quase meu noivo, e eu me esqueci do presente dele, o senhor entende?
— (...)
— Não! Não é golpe não! Eu juro que eu trabalho aí! Se o senhor quiser, pode verificar. Eu fico na baia 29, no segundo andar. É só abrir a terceira gaveta da direita... — ou a segunda, talvez...— enfim, uma das gavetas da direita e o senhor vai ver o pacote. O papel de embrulho é vermelho.
— (...)
— Esqueci também; como é que o senhor sabe?
— (...)
— Tocou? Deve ter sido o meu noivo — ou quase noivo... Ai, eu sou muito esquecida, sabe, o senhor não faz ideia...
— (...)
— Posso?! Muito obrigada! Então façamos assim: quando eu chegar na porta, eu volto a ligar e o senhor abre pra mim... Ou talvez, se não for muito trabalho pro senhor, o senhor pega o presente e traz pra mim...
— (...)
— O celular também, por favor.
— (...)
— O quê? Flores, que flores? Ai, as flores!... As flores que meu namorado me deu na hora do almoço... Tinha esquecido...! Por favor, traz as flores também, obrigada.
— (...)
— Não, não tem problema. Eu nunca me lembro de trancar as gavetas. Com certeza estão abertas.
— (...)
— Então tá. Estou indo praí. Muito obrigada, o senhor é um anjo!
— (...)
— Ah, ah, ah... O senhor tem razão. Até logo, então.
— Conseguiu?
— Consegui, obrigada, amiga. O segurança disse que eu preciso trocar de anjo da guarda. Mas meu anjo da guarda é você, amiga, e eu não troco por ninguém. Você me leva até lá?
— Anjo da guarda e motorista particular...
— Se for trabalho, eu pego um táxi.
— Tudo bem, eu levo você.
— Ai, amiga, eu só crio problemas pra você...
— Você não se esqueceu do nome do seu namorado, né?
— Claro que não!
— Sabe o que eu acho incrível? Você não se esqueceu do dia do aniversário dele!

— É que ele me conhece. Ele me lembrou...

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