DOS DIÁLOGOS INFORMAIS: 6 E 7

6


— Daí, eu falei assim pra ele: não tem essa de “pra sempre”, nada é pra sempre. Tudo um dia pode terminar!...
— E ele?
— Ele insistiu nisso, disse que com ele promessa é promessa e ele prometeu isso quando casou.
— Teimoso ele, não?
— Muito teimoso. Mas eu insisti, disse que essa história de que “até que a morte nos separe” era balela, que todo dia tinha gente se separando, se divorciando...
— E ele?
— Aí ele me disse: mas a gente tem uma história juntos, uma história de muitos anos, que não pode acabar de uma hora pra outra.
— Mas você insistiu...
— Insisti! Falei pra ele que eu entendia isso, que também não precisava ser uma separação de uma hora pra outra, que a gente podia ir com calma, com paciência.
— E ele?
— Ele parece que não quer entender isso.
— Você desistiu?
— Ah, desisti, né. Fazer o quê...
— E como é que ficou?
— Ficou como está, fazer o quê. Quem sabe um dia ele percebe que a mulher da vida dele sou eu. Enquanto isso ele continua casado com aquela lá e eu continuo sendo a outra, fazer o quê. Eu gosto dele. Melhor assim do que nada...



7


— Em quem você vai votar?
— Ainda não sei...
— Você pode votar nele ou nela. Em quem?
— Nele eu não voto!
— Vota nela, então...
— Nela também não voto.
— Vai anular o voto?
— Não, não quero anular meu voto.
— Então vai votar em branco.
— Também não.
— Você não vota nele, não vota nela, não anula o voto nem vota em branco. Você vai se abster?
— Não, não! Vou cumprir meu dever cívico de votar!
— Ah, já entendi. O voto é secreto e você não quer me dizer em quem vai votar, não é?
— Não, eu não teria o menor problema em dizer a você em quem vou votar.
— Não estou entendendo você. Só tem dois candidatos e você quer votar, mas não quer nenhum dos dois, nem anular, nem votar em branco...
— É...
— Como vai ser na hora em que você estiver na frente da urna?
— Na hora de votar eu decido...
— Então vê se não fica uma hora na cabine empatando a votação!

— Não, eu voto rápido!...

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