HISTÓRIA SEM DESTINO CERTO 7

  
“Não deve ter perigo. Com certeza os caras são experientes. Além do mais, foi tudo tão tranquilo até aqui... Já vejo a cidade, bonito aqui de cima...” Pensava essas coisas, enquanto o avião seguia os procedimentos de pouso e ele aguardava as rodas tocarem o solo. E começava a se preparar para a próxima e também desconhecida etapa, desembarcar, procurar um táxi, informar o motorista do destino. Lá no hotel veria como se acomodar em seu quarto. “Já sei como fazer quando descer do avião: sigo a massa. Onde eles forem, eu vou.”
Para trás ficavam os acontecimentos dos dias que antecederam à viagem, dias cheios de novidades, desde comprar a pequena mala azul que abrigava agora suas camisas e camisetas, suas cuecas e meias, sua recém-comprada nécessaire com escova de dente nova, pasta, creme e aparelho de barbear, sua calça de reserva no fundo da mala, seu pijama curto — enfim as coisas necessárias para ficar sete dias fora; se precisasse de mais alguma coisa, compraria em Brasília —, até os fatos mais dramáticos, que ocuparam sua mente, alguns deles ainda mal digeridos. Esses dias longe de tudo certamente seriam úteis para colocar a cabeça em ordem.
Ainda muito confusos os acontecimentos daquele conturbado almoço na casa de Martina, não o almoço em si, em que foi tratado como um convidado de honra pela simpática e extrovertida família. Só para variar, serviram bacalhau, bem parecido com o de sua mãe, melhor até, pela feliz ideia de substituírem a batata por mandioca. Logo se sentiu à vontade, num papo descompromissado de pessoas agradecidas por sua interferência na garantia do emprego da filha. E a simpatia de Martina, sem se sentir envergonhada em mostrar a casa simples na Vila São José, daquelas casas em que foram sendo acrescentados puxadinhos conforme a família foi crescendo. Por fim o seu quarto, a única que tinha um quarto só dela, muito bem arrumado e limpo, onde ainda coube, no cômodo pequeno, a estantezinha com alguns livros e apostilas de um cursinho doadas por uma amiga. E por último, o inesperado abraço alguns segundos mais longo do que um mero abraço normal, tempo suficiente para sentir os seios apertados em seu peito, as coxas em suas coxas, o calor de sua face e os cabelos perfumados de um xampu qualquer, até terminar com o beijo no rosto, também dois ou três segundos mais longo, tempo suficiente para que sentisse uma incontida ereção que fez com que delicadamente a afastasse, antes que a vergonha que sentia se tornasse maior.
Menos mal que ela o salvou, propondo que fossem para a sala, onde o almoço já deveria estar sendo servido. Mas segurar sua mão para conduzi-lo até a sala não permitiu que contivesse a ereção, o que fez com que se sentasse na primeira cadeira que encontrou. Sorte que o pai logo começou a contar sobre as dificuldades de construir aquela casa e ele não precisou falar nada. Com certeza sua voz sairia trêmula pela emoção que manteve a pulsação acelerado bem uns três minutos...
— O senhor sabe onde é o hotel Park Plaza Unique?
— Você nunca veio a Brasília, não é?
— Primeira vez...
— Aqui todos os hotéis ficam no setor hoteleiro...
— É? Desculpe minha ignorância... Se o senhor não se importar, poderia ir me informando sobre a cidade.
— Claro que não, é um prazer. Aqui nós estamos indo em direção à Asa Sul, no plano piloto. É um setor residencial, só com comercio local. Se você não se importar em pagar um pouquinho mais, posso dar uma volta pela Esplanada dos Ministérios, mostrar a catedral, o prédio do congresso, os palácios...
— Tudo bem, assim já vou me familiarizando com a cidade, conhecendo...
— Brasília é fácil de entender. Peça no hotel uma planta do plano piloto, pra que possa se localizar melhor...
A grande confusão se deu quando ia embora, ao lado de Martina que se dispôs a acompanhá-lo até o ponto de ônibus. Sentados numa mureta em frente a uma casa pouco além da de Martina, três rapazes se levantaram e um deles, pouco mais baixo que ele, se aproximou, dedo indicador em riste, falando alto, ameaçador:
— ‘Cê trata de ficar longe da minha mina! Aqui é meu pedaço, não quero mauricinho nenhum ciscando no meu terreiro!
Os outros dois também se acercaram, um de cada lado dele, um mulato forte à esquerda, um moreno atarracado de braço tatuado à direita. E o dedo indicador do que ameaçava se aproximou a centímetros de seu nariz, sem que ele esboçasse nenhuma reação. O tapa na mão do rapaz veio de Martina, que se interpôs entre os dois.
— Começa que eu não sou mais sua namorada, pode me esquecer. E experimenta tocar um dedo em qualquer de nós pra ver o que te acontece! Seu pai vai gostar de saber dessa sua valentia, ah se vai!
— Aí, Leandro, quer que a gente dê um corretivo nesse branquelo? — Era o mulato falando.
— E vocês dois, se encostarem a mão nele, eu conto pra polícia sobre as drogas que vocês vendem. Eu acabo com vocês. Se pensam que eu tenho medo de vocês, estão muito enganados. Até agora não mexeram comigo, estou me lixando para o que vocês fazem ou deixam de fazer. Mas se mexerem com meu amigo, mexem comigo, e eu ferro vocês!
— Deixa pra lá, Cidão. Mas você, mauricinho, é bom se mandar daqui e não aparecer mais. E não se esqueça de que eu sei onde você trabalha...
— O quê, seu bosta! Experimenta atrapalhar meu trabalho que eu meto você também em cana! E se prepara que agora é guerra! Você tinha que ter ficado na sua! E sai da frente que a gente está com pressa.
— Pô, Martina, nada disso precisava acontecer, você sabe que eu sou amarradão em você...
— Você acaba de dar mais um motivo pra esquecer que um dia eu tive a infeliz ideia de namorar você. Me esquece! Vamos Robson.
Da janela do oitavo andar, ele via aquele por do sol espetacular que Brasília tem. Bem que gostaria de dividir com alguém todas as emoções e surpresas que estava vivendo desde que saiu de São Paulo, talvez sua mãe, talvez Martina... Decidiu que anotaria suas impressões, um pequeno diário. Na gaveta do criado mudo havia um bloquinho de notas e uma esferográfica com o nome do hotel. Se não for suficiente, compra um caderno depois; deve existir papelaria em Brasília... Mostrará suas anotações para Martina, se ela se interessar; sua mãe com certeza vai se interessar. Como estará sua mãe? Hora de ligar para ela.
— Oi, mãe, tudo bem?
A mãe contou sobre como estava bom viver na casa nova. “Nunca tive tanto espaço numa casa!” E pareceu mais interessada em falar sobre suas novidades do que em ouvir as do filho. Sem dúvida estava feliz, isso que importava. Aliás, já estava assim antes de se mudar, principalmente depois que teve a primeira noite com Germano, passada num hotel “chic” perto da Paulista, depois de um jantar “de cinema” no restaurante do hotel. Cúmplice, Daniela se dispôs a ir dormir na casa da avó, e eles puderam despreocupados viver sua primeira noite, contada depois em detalhes para o filho, que se esforçava em esconder o constrangimento e a vergonha. Mas as peripécias amorosas da mãe despertaram nele o desejo muito forte de conhecer completamente uma mulher, parecido com o que sua mãe narrava, igual às relações amorosas que viu em alguns filmes. Teria coragem? Nos filmes quase sempre eram os homens que tomavam a iniciativa. Como seria? Com quem seria? Talvez Martina, mas ela já tinha namorado... Como seria com Martina?... E a imaginação o levou para o quarto e depois para o banheiro para se satisfazer como sempre fazia...
Precisava de um leitor para suas anotações. Só quando escreveu a primeira linha, tentando descrever aquele pôr do sol, é que percebeu isso. Não, não era para si mesmo que escrevia. Quem? Talvez a mãe, talvez Martina, talvez as duas... Nada disso. Escreveria imaginando que seu pai fosse o leitor, apesar de que não tinha a menor intenção de mostrar o texto futuramente para ele. Bem que gostaria de ter essa intimidade com aquele pai, contar não somente sobre sua primeira viagem, mas também pedir ajuda em como lidar com mulheres, ele que tinha tanta experiência nesse assunto. Ainda mais agora, depois da conversa que teve com Martina.
Foi na segunda-feira, quando ela veio mais uma vez se desculpar pelas ameaças do ex-namorado. Então contou que o namoro dos dois já estava há muito tempo para terminar, por causa dos desentendimentos constantes e dos rumos diferentes que suas vidas estavam tomando. E a gota d’água foi quando ele ofereceu maconha a ela, insistindo que era muito bom. “Nada de droga na minha vida!” — ela respondeu. “Por isso também não quero mais saber de você!” Assim ela contou. E também que foi com o pai e o irmão mais velho, naquele sábado depois das ameaças do rapaz, até o mercadinho do pai dele, quando avisou que tinha terminado o namoro com ele e que ele andava de amizade com os traficantes do bairro, fumando maconha e se envolvendo em confusão. Irado, o pai prometeu que ia enquadrar o filho, controlando o dinheiro dele e ameaçando entregá-lo para a polícia se continuasse naquela vida ou se ameaçasse a moça mais uma vez, “que eu não criei um filho pra ser marginal!”. Disse que tinha um amigo policial do Denarc e que ia acabar com a festa dos amigos do filho.
Pouco se lembrava do que disse a Martina depois que ela lhe contou sobre o ex-namorado. Somente ficou a sensação de alívio de se ver livre das ameaças e de que ela lhe mostrava que o caminho estava aberto, se ele quisesse se aproximar, sensação reforçada pelo beijo no rosto, próximo dos lábios, que ela lhe deu ao se despedirem. Mas, quando voltava para casa naquele dia, ponderou que não seria bom se envolver com uma funcionária que iria chefiar — se é que de fato ela estivesse interessada nele. Sobre isso pensaria depois da viagem a Brasília.
Nem cinco linhas foram necessárias para descrever o crepúsculo. Sem dúvida seu texto empobrecia aquela beleza que começava a se findar no horizonte e ele pensou que haveria outros crepúsculos nos próximos dias e que os descreveria todos, até que se sentisse satisfeito. “Como é difícil escrever bem... Agora estou admirando ainda mais esses escritores que li.” A noite se aproximava e era hora de pensar em jantar, já que não comia nada desde o sanduiche que comeu no avião. Certamente a recepcionista saberia indicar um restaurante por perto. Das muitas sugestões optou pela praça de alimentação do shopping próximo ao hotel. Assim aproveitaria para conhecer as lojas, procurar uma livraria, talvez fazer alguma compra, escolher um presente para a mãe e quem sabe um para Martina. Sim, compraria um presente para Martina. Mas o quê? Isso veria...
O táxi o deixou em frente ao Congresso Nacional e ele entrou, depois passar por uma revista, para conhecer aquele templo da política. Impressionante o luxo e o asseio daquele lugar! Nem parece que por ali haja tanta sujeira que os jornais e as TVs estão sempre a anunciar. De informação em informação chegou à plateia do salão da Câmara dos Deputados e viu o plenário vazio, em que apenas uma rodinha de quatro deputados conversava animada, rindo talvez de alguma piada. No púlpito um deputado discursava inflamado, como se falasse para uma multidão, mas sem conseguir um mínimo de atenção dos quatro que riam de outra piada. Mas ele, também o único na plateia, prestou atenção ao discurso em que o orador falava dos problemas de falta de moradia nas grandes cidades e das medidas que o governo federal e os prefeitos do seu partido estavam tomando para “amenizar o problema, já que solução em curto prazo é impossível”. Terminava exortando a um “mutirão nacional, que envolva poder público, iniciativa privada, organizações não governamentais, igrejas e entidades religiosas que se sensibilizem e se mobilizem para encontrar, todos juntos, as urgentes e necessárias soluções”. Só ele aplaudiu ao final do discurso, suas palmas ecoando pelo imenso salão e contendo por instantes as gargalhadas dos quatro deputados...
Na saída da plateia, perambulou pelos espaçosos corredores, em busca de um café que deveria existir por ali. E foi no café que encontrou o deputado de quem ouviu o discurso. Passando por cima da timidez e do nervosismo, aproximou-se do homem de terno azul-marinho:
— Excelência, me permita a intromissão. Gostaria de cumprimentá-lo por seu discurso e pelo interesse que demonstrou pelo problema dos sem-teto. Também me preocupa esse problema, porque fico imaginando como deve ser difícil a vida de uma família sem um lugar para morar. Parabéns e obrigado.
— Você é o rapaz que aplaudiu o meu discurso?
— Sou sim senhor. E é uma pena que muito mais pessoas não o ouvissem também.
— Na verdade, meu jovem, essa é uma luta difícil, porque pouca gente se sensibiliza com o problema e o que você viu lá é uma imagem do que acontece no país, as pessoas pouco se interessam, inclusive muitos governantes que poderiam fazer alguma coisa. Nós fazemos o que podemos, mas ainda há muito que fazer. Você é de onde?
— De São Paulo.
— No seu estado esse problema é grave, mas pelo menos lá os sem-teto são organizados e o Estado é rico, constrói muitas moradias. Outros estados têm condições piores, com favelas sem nenhum recurso de infraestrutura, pessoas vivendo como bichos em habitações precaríssimas. O nosso governo até constrói muitas casas, financia outras, mas o problema é grande demais, são muitos anos, séculos mesmo, de desigualdades sociais...
— Seja como for, excelência, é um conforto saber que pessoas que têm algum poder, como o senhor, se preocupam com o problema.
— Fazemos o que podemos, meu jovem, fazemos o que podemos...
Conversaram ainda alguns minutos sobre amenidades e ele saiu satisfeito, menos com as soluções dos problemas do que com sua coragem de abordar um deputado e manter uma conversa de igual para igual com o político. Daí para frente irá precisar dessa mesma coragem para falar em igualdade com fornecedores e gerentes. “pra ser sincero comigo mesmo, estou gostando de mim!...”.
Já se aproximava o fim da tarde e ele perambulava a pé pela esplanada dos ministérios. Ao longe, divisou a catedral e pensou em conhecê-la. Que se lembre, apenas uma vez havia entrado numa igreja, na missa de sétimo dia de um vizinho falecido. Deveria ter dez ou onze anos quando isso aconteceu. Embora seus pais se declarassem católicos, não frequentavam igrejas e também nunca o obrigaram a isso. Então, agora já adulto, poderia ter sua própria opinião sobre igrejas, ainda mais aquela, projetada por Oscar Niemayer, um comunista declarado, materialista e ateu. Certamente ele daria um jeito de inserir no projeto a foice e o martelo, como adivinhou nos arcos do Palácio da Alvorada e na própria planta de Brasília que ganhou no hotel. De onde estava já vislumbrou as foices nas colunas que sustentavam os vitrais e foi assim que adentrou o corredor negro que dava acesso ao templo, com o ar crítico de quem observa uma obra de arte, sem nada de misticismos. O livro que tinha lido sobre as propostas político-econômicas revelava sua utilidade.
O impacto foi enorme ao se deparar com aquele salão circular, todo branco, completamente despojado, com seu altar simples. E como se fosse uma antítese a esse despojamento, aquele imenso anjo pendurado, barroco, como a mostrar que ter fé não é simples e não é fácil de compreender. Assim ficou, parado, boquiaberto, por uns três minutos, antes que decidisse sentar-se num banco de mármore, sentindo a sensação de que ali havia um convite implícito para que entrasse pra dentro de si, ali, sentado embaixo da terra, mas divisando o azul do céu pelos vitrais do teto.
Não saberia dizer quanto tempo ficou sentado no mesmo lugar e pela primeira vez sentiu vontade de rezar, o que faria se soubesse alguma oração e se acreditasse em algum deus. Talvez orar seja isso, sentir-se despojado de qualquer coisa que não fosse sua própria vida, que não fosse vital. Isso, um encontro profundo consigo mesmo, até que sentisse essa paz imensa que invadia seu peito, sua cabeça, seu corpo todo, como se fosse a percepção de seu próprio espírito ou de sua alma. Não, não precisava professar nenhuma religião para se sentir assim. E então agradeceu emocionado a São Oscar Niemayer por lhe proporcionar o que considerou os momentos mais intensos de sua vida tão pobre desses momentos. Sem dúvida valeu a pena vir para pra Brasília, se não fosse por tudo que conheceu e vivenciou nos últimos três dias, seria por essa paz que sentia agora.
E quando levantou os olhos para uma última olhada no anjo, viu os tons avermelhados do crepúsculo vazando a transparência dos vitrais, de uma beleza que nenhum escritor conseguiria descrever, que nenhum pintor conseguiria pintar, que nenhuma fotografia conseguiria capturar. “É, viver é bom; é muito bom!...”.
Ao chegar ao hotel trazia ainda um resto de sorriso no rosto. Precisava conversar com alguém, não por telefone, cara a cara, ouvir o tom real da voz, observar as expressões. Se os recepcionistas não estivessem ocupados, conversaria com eles. Mas estavam atendendo a uma excursão recém-chegada. Numa poltrona da sala de espera, um rapaz lia um jornal. Aproximou-se, sentou-se numa poltrona à frente dele, e sem que se contivesse do possível fato de ser inoportuno, puxou conversa com o rapaz, se desculpando, porque precisava muito conversar com alguém. Mas o rapaz logo se interessou pela conversa, quando disse que a visita ao Congresso e à Catedral tinha mexido muito com ele e precisava dividir suas emoções com alguém.
Então soube que o rapaz era jornalista, que pretendia se especializar em política e estava em Brasília para estabelecer contatos, se informar melhor. Também era de São Paulo e voltaria no dia seguinte. A conversa animada e fraterna prolongou-se no jantar num restaurante sugerido pelo rapaz. E dois jovens em busca de definição de suas vidas se identificaram e iniciaram uma amizade que se prolongaria com certeza em São Paulo...

Para continuar:
A – Ele decide que no futuro fará mais viagens.
B – Ele procura seu pai para lhe entregar um presente.
C – Ele conta para Martina que nunca namorou nem transou.
D – Ele se encontra com o jornalista que o estimula a estudar.
E – Sua mãe conta que se encontrou com seu pai.
F – Duas dessas opções.

G – Todas essas opções.

3 comentários :

  1. Achei que dava para explorar mais a ida, a chegada ao aeroporto, o embarque das bagagens, a espera p/ embarcar, troca de portão de embarque, medo de perder o avião, enfim todo aquele "caipirismo" de quem entra num avião pela primeira vez. Para continuar escolho D e E.

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  2. Gostei da forma como escreveu, contando um pouco do presente e do passado, ficou bem interessante. Alternativas A, C e D

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